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Galileo

Galileo

Nelson Vaz

2010-NOV-28

Pode-se dizer que a ciência, como a conhecemos hoje, nasceu quando Galileu Galilei transformou seu telescópio primitivo no céu noturno e viu as luas de Júpiter; Ou quando publicou suas observações. Mas nada aconteceu até que Galileu insistiu em observações independentes para confirmar suas conclusões. Só então, algumas pessoas influentes acreditavam que suas afirmações tinham algum fundamento e, com o tempo, isso levou a uma melhor compreensão da construção do telescópio e das condições adequadas para observações astronômicas. Assim, a ciência nasceu quando coordenações particulares do comportamento humano foram tornadas possíveis (McMullin, 1997).

Maturana diria que este não era ainda o passo crucial no nascimento da ciência, porque todas as ações humanas relevantes também dependem dessas coordenações de comportamento e das coordenações de tais coordenações – um modo de viver que ele chama de linguagem humana (Maturana, 2002). A ciência nasceu quando se chegou a um consenso sobre os critérios de validação das explicações científicas, que são diferentes dos critérios de validação de outros tipos de explicação, por exemplo, magia, estética ou explicações morais. Assim, o verdadeiro núcleo da ciência reside nos critérios de validação das explicações científicas.

Esses critérios são quase universalmente aceitáveis, mas Maturana também propõe algo a que muitos cientistas se oporão fortemente. Ele afirma que as explicações científicas não se baseiam na existência de uma realidade objetiva, separada, na qual entidades e fenômenos existem e operam independentemente das observações humanas. Ele coloca a objetividade entre parênteses alegando que, sim, nossas realidades estão cheias de objetos e fenômenos, mas se os distinguimos ou não, depende de nossa história pessoal. E nossa história como seres humanos depende de coordenações de comportamento com outros seres humanos e nas coordenações de tais coordenações, isto é, depende do linguajar humano, das ações através das quais distinguimos objetos e fenômenos.

 

McMullin, B. (1997) Modelando a autopoiese: Mais difícil do que pode parecer. Em: M.C. Magro (Ed) Biologia, Linguagem, Cognição e Sociedade – Simpósio Internacional de Autopoiesis, Belo Horizonte MG Brasil