Contos

De maio para cá

De maio para cá

A festa ainda não começara direito e já me aborrecia. Eu circulava entre os convidados, olhando as mulheres. Já estava no meu terceiro copo e um garçon já aprendera a me servir. Ela me viu sozinho,  mas não veio diretamente a mim, veio pousando de mesa em mesa, falando coisas breves com os convidados, sorrindo, tocando neles; finalmente sentou-se a meu lado. Fazia tempo que não a via. O marido ali adiante, conversava, animado.

Sem tirar os olhos dele, perguntei:

– Porque nunca tive uma mulher como você?

Fez um longo silêncio, e finalmente, disse:

– Você nunca se deu por inteiro.

Continuava delicada. Olhei para ela e respondi:

– Porque acha que eu teria muito para dar?

Ela não retribuiu o olhar nem respondeu. Continuou sua ronda.

Vê-la assim de perto era muito bom.

O garçom chegou com outro uísque.