Gregory Bateson

E daí? (“So what?”) – Gregory Bateson

E daí? (“So what?”) 

Gregory Bateson

In Mind and Nature, 1980 – London. Fontana.pp 220-229

O, reason not the need: our basest beggars
Are in the poorest things superflous:
Allow not nature more than nature needs,
Man’s life is cheap as beast’s

Shakespeare – King Lear

 

 

Filha:      E daí o quê, Papai? Você nos fala de algumas pressuposições importantes e grandes sistemas estocásticos. E disto nós deveríamos prosseguir e imaginar como o mundo é? Mas…

Pai:          Oh, não. Eu também falei com você algo sobre as limitações da imaginação. Então você deveria      saber que você não pode imaginar como o mundo é. (E porque grifar esta pequena palavra?) E eu falei com você sobre o poder auto validante das ideias: que o mundo em parte se torna – vem a ser – como ele é imaginado.

Filha:      Então, isto é evolução? Esta constante mudança e deslizamento das ideias para fazer com que todas elas se harmonizem? Mas isto não ocorre nunca.

Pai:          É verdade. Tudo muda e roda em torno das verdades; “Cinco mais sete continuará a ser igual a doze”. No mundo das ideias, números ainda estarão em   contraste com quantidades. As pessoas provavelmente continuarão a usar numerais como nomes tanto para quantidades como para  números. E continuarão a ser enganadas pelos seus próprios maus hábitos. E assim por diante.  Mas, sim, sua imagem da evolução é correta. E o que Darwin chamou de “seleção natural” é a         emergência da tautologia ou pressuposição de que o que permanece verdadeiro mais tempo na verdade permanece como verdade mais tempo que aquilo que não permanece tanto tempo.

Filha:      Sim, eu sei que você adora falar esta frase. Mas as verdades permanecem verdadeiras para  sempre? E estas coisas que você chama de verdades são todas tautológicas?

Pai:          Espere, espere. Há no mínimo três perguntas entrelaçadas no que você disse. Por favor. Primeiro: não. Nossas opiniões sobre as verdades certamente são cambiáveis Segundo: se as verdades que Santo Agostinho chamou de verdades eternas são verdadeiras para sempre independentemente de nossas opiniões, disso não posso saber.

Filha:      Mas você pode saber se é tudo tautológico?

Pai:          Não, é claro que não. Mas já que a pergunta foi feia, não posso evitar ter uma opinião.

Filha:      Bem, e então, é tudo tautológico?

Pai:          Está bem. Minha opinião é de que a Criatura, o mundo do processo mental, é tanto tautológico quanto ecológico. Isto é, que ele é uma tautologia que cura-se a si mesma, vagarosamente.   Deixado a si próprio, qualquer grande pedaço da Criatura tenderá a se acomodar na direção de uma tautologia, isto é, de uma consistência interna de ideias e processos. Mas, volta e meia a consistência se perde; a tautologia se quebra como a suprfície de um lago quando uma pedra é atirada no lago. Então, a tautologia começa imediata mas vagarosamente a se curar. E a cura  pode ser implacável. Espécies inteiras podem ser exterminadas neste processo.

Filha:      Mas, Papai, você poderia obter consistência a partir da ideia de que ela sempre começa a se curar.

Pai:          Então, a tautologia não se quebra: ela apenas é empurrada para o próximo nível de abstração,  tipo lógico seguinte.

–x-x-

Filha:      Mas, quantos níveis existem?

Pai:          Não, isto eu não posso saber. Não posso saber se, em última análise, se é uma tautologia ou             quantos níveis ela tem. Estou dentro dela e, portanto, não posso conhecer seus limites externos – se é que ela tem algum.

Filha:      Acho desanimador. Afinal, qual o sentido de tudo isso?

Pai:          Não, não. Se você estivesse amando, não faria esta pergunta.

Filha:      Quer dizer que o sentido está no amor?

Pai:          Mas, novamente, não. Eu estava rejeitando sua pergunta, não respondendo a ela. Esta é uma pergunta para um industrialista ou um engenheiro do Ocidente. Este livro inteiro (Mind and Nature, 1980) é sobre o  quanto esta pergunta está equivocada.

Filha:      Você nunca disse isso no livro.

Pai:          Há um milhão de coisas que eu nunca disse. Mas vou responder a sua pergunta. Ela tem um  milhão, um número infinito de “sentidos”, como você os chama.

Filha:      Mas isso é como não ter sentido algum – Papai, é como uma esfera?

Pai:          Ah, está bem. Isto serve como metáfora. Talvez uma esfera multidimensional.

Filha:      Humm – uma tautologia auto-curativa que é também uma esfera multidimensional.

-x-x-

Filha:      E daí o quê, Papai?

Pai:          Mas eu vivo lhe dizendo: Não há nenhum “o quê”. Há um milhão de sentidos ou não há sentido algum.

Filha:      Então, porque escrever este livro?

Pai:          Isto é diferente. Este livro, ou você e eu conversando, e coisas assim – são apenas pequenos   pedaços do universo maior. A tautologia auto-curativa total não tem “sentidos” que você possa enumerar. Mas quando você a quebra em pedaços menores, é outra história. O “sentido”  aparece quando o universo é dissecado. Aquilo que Paley chamou de “Propósito” e Darwin chamou de “Adaptação”.

Filha:      Apenas um artefato de dissecção? Mas para que serve a dissecção? Este livro inteiro é uma dissecção. Para que serve ela?

Pai:          Sim, o livro é em parte dissecção e em parte uma síntese. E suponho que sob um macroscópio de dimensão suficiente, nenhuma ideia pode estar errada, nenhum propósito pode ser destrutivo,   e nenhuma dissecção enganadora.

***

Filha:      Você disse que nós apenas construímos as partes de qualquer todo.

Pai:          Não, eu disse que partes são úteis quando queremos descrever os todos.

Filha:      Então, você quer descrever os todos. Mas quando você houver terminado, e daí o quê, Papai?

-x-x-

Pai:          Está bem. Vamos dizer que vivemos, como eu propus, em uma tautologia auto-curativa que  mais ou menos frequentemente está sendo fragmentada de forma mais ou mesmos severa.    Parece ser assim em nosso espaço-tempo vizinho. Acho que uma certa fragmentação dosistema tautológico-ecológico é até bom para o sistema – em um certo sentido. Sua capacidade  de auto-cura requer exercícios, como disse Tennyson, ‘a menos que um bom hábito possa                   corrromper o mundo’.E claro, a morte tem um lado positivo. Não importa quão bom seja um homem, ele se torna um           incômodo tóxico se ele permanece tempo demais. O quadro-negro no qual toda a informação se   acumula, precisa ser apagado e as bela caligrafia que ali estava precisa ser reduzida a uma poeira aleatória de giz.

Filha:      Mas…

Pai:          E assim por diante. Há sub-ciclo de viver e morrer dentro da ecologia maior e mais durável. Mas, o que dizer da morte de sistemas maiores? Nossa biosfera? Talvez, sob o olhar dos céus, oe Shiva, isto não importe. Mas é a única ecologia que conhecemos.

Filha:      Mas seu livro é uma parte dela.

Pai:          É claro que é. Mas, sim, percebo o que você quer dizer e, é claro, você está certa. Nem o cervo       nem o puma precisam de justificativa para existir, e meu livro, como parte da biosfera, e não       requer desculpas. Mesmo se eu estiver completamente errado!

-x-x-

Filha:      E podem o cervo e o puma estar errados?

Pai:          Qualquer espécie pode entrar em um beco sem saída evolutiva e suponho que seja um erro de vários tipos para uma espécie participar de sua própria extinção. A espécie humana, como todos sabemos, pode extinguir a si própria a qualquer dia.

-x-x-

Filha:      E daí o quê, Papai? Porque escrever o livro?

Pai:          E há algum orgulho nisto também, o sentimento de que se estamos todos correndo para o mar  como lemmings, deveria existir pelo menos um lemming tomando notas e dizendo, “Eu avisei, eu avisei”. Acreditar que eu possa interromper a corrida para o mar seria ainda mais presunçoso que dizer “Eu avisei a vocês”.

Filha:      Acho que você está dizendo tolice, Papai. Não vejo você como o único lemming inteligente que    está anotando a autodestruição dos demais. Não se parece com você. E ninguém comprará um livro escrito por um lemming sarcástico.

Pai:          Ah, sim, é bom ter um livro bem vendido, mas é sempre uma surpresa, eu acho. Isso não é o nosso tema de agora. (E você ficaria surpresa de ver quantos livros escritos por lemmings sarcásticos são bem vendidos.

-x-x-

Filha:      E daí, o quê?

Pai:          Para mim, depois de promover essas idéias por mais de cinquenta anos, se tornou lentamente        claro que a confusão não é necessária. Sempre detestei a confusão e achei que ela era uma                condição necessária para a religião. Mas parece que não é assim.

Filha:      Oh, é disto que o livro trata?

-x-x-

Pai:          Veja, eles pregam a e eles pregam a renúncia. Mas eu buscava a clareza. Você poderia dizer       que a fé e a renúncia eram necessárias para a busca da clareza. Mas tenho evitado os tipos de  fé que preencheriam as lacunas da clareza.

-x-x-

Filha:      Prossiga.

Pai:          Bem, há pontos de viragem. Um desles ocorreu quando entendi que a ideia Fraseriana de mágica estava de cabeça para baixo ou pelo avesso. Você sabe, a visão convencional é que a religião nasceu da mágica, mas eu penso que foi ao contrário – que a mágica é uma espécie de religião degenerada.

Filha:      Então, no quê você não acredita?

Pai:          Bem, não acredito que o propósito original da “dança da chuva” era fazer chover. Suspeito que este é um entendimento degenerado de uma necessidade religiosa muito mais profunda, que é: assegurar a participação no que podemos chamar de uma tautologia ecológica, as verdades eterna da vida e do ambiente.
Há sempre uma tendência – quase uma necessidade -, de vulgarizar a religião, de transformá-la em diversão ou em política, ou mágica, ou ‘poder’.

Filha:      E a percepção extra-sensorial? E a materialização? E as experiiencias “fora-do-corpo”? E o espiritismo?

Pai:          Todos são sintomas, tentativas equivocadas de esforços válidos para escapar de um materialismo grosseiro que se torna intolerável. Um milagre é uma ideia materialista de como escapar desta forma de materialismo.

-x-x-

Filha:      Não há saída? Não entendo.

Pai:          Ah, sim, há. Mas veja, a mágica é apenas um tipo de pseudociência. É como ciência aplicada: ela sempre propõe uma possibilidade de controle. Então você não se livra de todo aquele trajeto  do pensar através de sequências nas quais a mesma forma de pensar está embutida.

Filha:      Então, como encontrar uma saída?

Pai:          Ah, sim. A resposta ao materialismo grosseiro não são milagres, mas sim a beleza – e, é claro, a  feiúra. Um pequeno trecho de uma sinfonia de Beethoven, uma das variações Goldberg, de Bach, um único organismo, um gato ou um cactus, o 29º soneto ou a serpente marinha do  “Ancient Mariner”. Você se lembra, ele “os abençoou inconscientemente” e então o Albatroz caiu de seu pescoço para dentro do mar.

-x-x-

Filha:      Mas você não escreveu aquele livro. Aquele é o livro que você deveria ter escrito. Aquele sobre o Albatroz e a Sinfonia.

Pai:          Ah, sim. Mas, veja, eu não poderia fazer isso. Este livro tinha que ser feito antes. Agora, depois de toda a discussão sobre a mente e tautologias e diferenças imanentes e assim por diante, estou começando a estar pronto para sinfonias e o albatroz…

Filha:      Prossiga.

Pai:          Não, veja, não é possível mapear a beleza e a feiúra em um pedaço plano de papel. Oh, sim, um desenho pode ser lindo e feito no papel, mas este não é o assunto a que me refiro. A  pergunta é: em que superfície pode ser mapeada uma teoria sobre a estética? Se você me fizer esta pergunta hoje, eu poderia tentar uma resposta. Mas eu não poderia fazer isto vinte anos atrás, quando este livro ainda não estava escrito.

Filha:      Tudo bem. Então, como você a responderia hoje?

Pai:          E além disso existe a consciência, um tema em que não toquei neste livro – ou toquei somente uma ou duas vezes. A consciência e a estética são as duas perguntas ainda não abordadas.

Filha:      Mas, Papai, nas bibliotecas há salas inteiras cheias de livros sobre estas perguntas.

Pai:          Não, não. O que não foi abordado é a pergunta: ‘Em que superfície pode ser mapeada uma teoria sobre a estética?’

Filha:      Não compreendo.

Pai:          Quero dizer mais ou menos o seguinte: que tanto a consciência quanto a estética (seja lá o que estas palavras signifiquem) ou são características presentes em todas as mentes (como definidas neste livro), ou são derivativos – criações fantásticas tardias destas mentes. Em qualquer do dois casos, é a definição de mente que precisa acomodar as teorias de estética e de consciência. É nesta definição primária que o próximo passo precisa ser mapeado. A terminologia para lidar com beleza-feiúra e a terminologia para a consciência devem ser  elaboradas (ou mapeadas sobre) as ideias presentes neste livro, ou ideias similares. É simples  assim.

Filha:      Simples?

Pai:          Sim, simples. Quero dizer que a proposição de que isto é o que precisa ser feito é simples e  clara. Não quero dizer que fazer isto seja simples.

-x-x-

Filha:      Bem, como você começaria?

Pai:          ‘Il n’y a que le premier pas qui coûte’ – É o primeiro passo que é difícil.

Filha:      Está bem, deixe isso para lá. Por onde você começaria?

Pai:          Deve haver uma razão pela qual esta pergunta nunca foi respondida. Quero dizer, poderíamos  tomar como nosso primeiro passo para respondê-la, o fato histórico de que muitos homens tentaram respondê-la e não conseguiram. A resposta deve estar oculta, de alguma maneira. Deve ser assim: A própria maneira de colocar esta pergunta sugere uma pista falsa, e  faz quem pergunta iniciar uma busca inútil.

Filha:      Bem?

Pai:          Vamos olhar para os truismo que ‘todo menino sabe’ que alinhei neste livro para ver se um ou mais destes truismos pode ocultar respostas a perguntas sobre a consciência e a estética. Estou certo de que uma pessoa, ou um poema, ou um vaso… ou uma paisagem…

Filha:      Porque você não faz uma lista do que você acha que ‘todo menino sabe’? Poderíamos então confrontar as ideias de consciência e beleza nesta lista.

-x-x-

Pai:          Aqui está a lista.
Primeiro, havia seis critérios para a existência de uma mente (Capítulo 4):

  1. A mente é feita de partes que não são em si mesmas mentais. A mente é inerente a certos tipos de organização de partes.
  2. As partes são acionadas por eventos no tempo. Embora estáticas no mundo exterior, as diferenças podem gerar efeitos se você se mover em relação a elas.
  3. Energia colateral. O estímulo (sendo uma diferença) pode não fornecer energia, mas o respondedor tem sua própria energia, geralmente vinda do metabolismo.
  4. Então, sequências causa-efeito se organizamam cadeias circulares (ou mais complexas).
  5. Todas as mensagens são codificadas.
  6. Finalmente – e muito importante -, há o fato da tipagem lógica.

Todos estes pontos estão bem definidos e eles se apóiam mutuamente muito bem. Talvez a lista   seja redundante e possa ser reduzida, mas isto não é importante no momento. Além destes      cinco pontos, há o resto do livro, que é sobre diferentes tipos do que chamo dupla descrição que                   vai da visão binocular ao efeito combinado dos ‘grandes’ processos estocásticos de ‘calibração’ e              feedback’. Que também podem ser chamados de ‘rigor’ e ‘imaginação’, ou ‘pensamento’ e ‘ação’.

Isto é tudo.

-x-x-

Filha:      Está bem. Então, onde você colocaria os fenômenos da beleza e da feiúra e da consciência?

Pai:          E não se esqueça do sagrado. Este é outro assunto que não foi tratado no livro.

Filha:      Por favor, Papai. Não faça isso. Quando estamos quase fazendo uma pergunta, você pula para        longe. Parece que há sempre uma outra pergunta. Se você apenas pudesse responder a uma  pergunta. Uma só.

Pai:         Não, você não entende. O que diz E.E. Cummings? “A resposta mais bonita é a que torna a pergunta mais difícil” – algo assim. Entenda, eu não estou fazendo uma pergunta nova a cada vez. Estou tornando a pergunta maior. O sagrado (o que quer que isso signifique) está       claramente relacionado (de alguma maneira) ao belo (o que quer que isso signifique). E se pudéssemos dizer como eles estão relacionados entre si, talvez pudéssemos dizer o que essas    palavras significam. Ou talvez isso não fosse nunca necessário. Cada vez que adicionamos uma peça relacionada à pergunta, conseguimos mais pistas sobre que tipo de resposta podemos  esperar.

Filha:      Então agora temos seis partes da questão?

Pai:          Seis?

Filha:      Sim. Eram duas no início desta conversa. Agora são seis. Há a consciência, a beleza, o sagrado; e então há relação entre a consciência e a beleza; a relação entre a beleza e o sagrado; e a relação entre o sagrado e a consciência. Isso dá um total de seis.

Pai:          Não, são sete. Você se esqueceu do livro. Os seus seis juntos form uma espécie de pergunta triangular e este triângulo está relacionado com o que está escrito neste livro.

Filha:      Está bem. Prossiga, por favor.

Pai:          Acho que gostaria de intitular o meu próximo livro de “Onde Anjos Temem Caminhar”. Todo mundo fica me apressando. É monstruoso – vulgar, reducionista, sacrílego – chame como quiser ,me apressar com uma pergunta super-simplificada. É um pecado contra nossos todos três novos princípios: contra a estética, contra a consciência e contra o sagrado.

Filha:      Mas, onde?

Pai:          Ah, sim. Esta pergunta prova a íntima relação entre a beleza e a consciência e o sagrado. É a consciência correndo em círculos como um cão com a língua de fora – literalmente cinismo – que formula a pergunta que é simples demais e constrói a resposta vulgar. Estar consciente da natureza do sagrado ou da natureza da beleza é a insensatez do reducionismo.

Filha:      Tudo isso é relatado no livro?

Pai:          Sim. Na verdade, é. O Capítulo 4, a lista dos critérios, isoladamente, seria “grosso”, como dizem os jovens. A resposta vulgar a uma pergunta super-simplificada. Ou, uma resposta super-simplificada a uma pergunta vulgar. Mas, precisamente a elaboração de uma discussão  sobre a ‘dupla descrição’, sobre ‘estrutura e processo’ e sistemas estocásticos duplos – esta elaboração é o que salva o livro da mediocridade. Pelo menos, é o que espero.

Filha:      E o próximo livro?

Pai           Meu novo livro começará com um mapa de “Onde Anjos Temem Caminhar”.

Filha:      Um mapa vulgar? (Um mero mapa?)

Pai:          Talvez, mas não sei o que virá em seguida ao mapa e o envolverá em perguntas mais gerais e  mais difíceis.