Andrew Pickering

Estar em um ambiente: uma perspectiva performática

Estar em um ambiente: uma perspectiva performática
(Being in an environment: a performative perspective)
Andrew Pickering

Professor of Sociology and Philosophy, Dept of Sociology
and Philosophy, University of Exeter, Exeter EX4 4RJ, United Kingdom
Natures Sciences Sociétés 21, 77-83 (2013)
© NSS-Dialogues, EDP Sciences 2013
DOI: 10.1051/nss/2013067

 

Andrew Pickering foi originalmente um físico, com graduação em Oxford PhD em física de partículas da University College de Londres. Mudou para o campo dos estudos de ciência e tecnologia, afiliou-se à Science Studies Unity da Universidade de Edimburgo na década de 1970. Ensinou por muitos anos na Universidade de Illinois em Urbana – Champaign antes de retornar à Grã-Bretanha como Professor de Filosofia e Sociologia na Universidade de Exeter. Seus livros incluem “Constructing Quarks: A Sociologic History of Particle Physics” (1984), “The Mangle of Practice: Time, Agency and Science (1995) e, mais recentemente, “The Cybernetic Brain: Sketches of Another Future” (2010). Seu projeto atual, “Art and Agency”, surgiu de pesquisas anteriores sobre a arte cibernética.

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Este ensaio apresenta a minha perspectiva geral sobre relações com o ambiente[1]. O fio central é uma convicção de que o nosso pensamento sobre este tópico se inicia com uma preocupação com o desempenho e a agência – as ações de pessoas e de coisas– e não com o conhecimento como um dado ponto de partida. Minha abordagem é ontológica e não epistemológica. Ela nasceu de meu trabalho anterior em estudos de ciências (Sociological Studies of Science (SSS)), e eu começo pela análise de alguns conceitos desenvolvidos naquela área, e por que eles entram em choque com os principais discursos acadêmicos, antes que eu passe para tópicos e exemplos sobre o ambiente. Tópicos importantes incluem uma distinção entre dois paradigmas em abordagens científicas e de engenharia do meio ambiente, e uma tentativa de colocar a ciência em seu lugar – em uma visão exterior para ver como a ciência aparece em nossas relações com o meio ambiente. Estou particularmente interessado em estabelecer a possibilidade de envolver a natureza de forma diretamente performática – de uma maneira que não esteja centrada no conhecimento, na ciência e no laboratório.

Estudos sociológicos da ciência: desempenho (performance) e agências

Em 1995 eu publiquei um livro chamado “The Mangle of Practice: Time, Agency and Science (“A Transfiguração da Prática: Tempo, Agência e Ciência”), e todo o meu trabalho subsequente derivou daí. A análise da prática científica que descrevi ali era bastante direto, mas quando eu ampliei esta estória, me tornei cada vez mais consciente de um descompasso entre o meu pensamento e os principais discursos na ciência. Então, uma coisa que eu preciso fazer aqui é esclarecer a minha posição, tanto quanto possível, antes de me endereçar a questões ambientais.

O tema principal no “The Mangle” foi focalizar o desempenho em vez da cognição. Todos nós fomos ensinados a pensar que a ciência é principalmente uma atividade cognitiva – a produção de conhecimento sobre o mundo – mas meu argumento era que se você quer entender a prática da ciência, você deve começar pensando sobre (a) o desempenho (a performance) dos cientistas – o que os cientistas fazem; (b) o desempenho (a performance) do mundo material – o que as coisas fazem no laboratório, e (c) como essas performances estão entrelaçadas umas com as outras. Isso pode parecer óbvio: é claro que os cientistas lidam com o mundo material e tentam chegar a um acordo com ele. Mas, na verdade, pelo menos nas tradições acadêmicas dominantes, isto não é óbvio. As próprias ciências naturais nos contam histórias sobre como é o mundo material; as ciências sociais fazem o mesmo para o mundo humano; mas nenhuma delas fala sobre lutas[2] performáticas entre o mundo humano e o mundo material. Há um notável silêncio, uma notável falta de pensamento sistemático sobre este tema. Desta maneira, a educação ocidental reproduz continuamente um cognitivismo Cartesiano e um dualismo Cartesiano de pessoas e coisas.

 Agora, pode ser que haja uma razão para esse silêncio – ou seja, que não haja nada que valha a pena dizer sobre interações performáticas entre pessoas e coisas – mas em meu livro “The Mangle” eu desenvolvi alguns conceitos que me pareciam chegar a algum lugar, que quebraram o silêncio acadêmico de maneiras que vale a pena levar adiante. Um destes conceitos era o conceito de “agência”, um termo que eu uso para me referir diretamente à ação, às ações, a aquilo que tem consequências no mundo. A ideia-chave em “The Mangle” era que a prática científica tem o caráter de uma “dança de agências” entre pessoas e coisas, entre o humano o não-humano. O primeiro estudo particular do livro é sobre o trabalho de Donald Glaser no desenvolvimento da Câmara de Bolhas como um novo dispositivo para a Física experimental de partículas atômicas.

Muito simplesmente, ao longo do caminho para completar o aparelho, Glaser fez todo tipo de montagens; ele se colocava atrás do aparelho com uma câmera cinematográfica na mão e gravava o que se passava; e então, ele reagia a isso (ao que via), e reconfigurava de alguma forma a configuração do experimento; e então, ele via novamente o que isso faria; reagia a isso mais uma vez; e assim por diante. Assim, esta sequência de práticas é um bom exemplo de uma dança de agência. Às vezes, Glaser atuava como um clássico agente humano; e depois ele se tornava passivo e o aparelho assumia o papel ativo, fazendo a sua coisa; e então Glaser assumia novamente, repetindo várias vezes este jogo; e deste trabalho acabou surgindo uma câmara de bolhas.

 Isto é simples e óbvio – ninguém jamais discutiu que é assim que as coisas se passam na investigação científica. Apesar disso, este foi meu ponto de partida para o espaço orbital da academia. Como eu disse, não há lugar para falar sobre danças de agência performáticas dentro das principais disciplinas acadêmicas. É importante notar aqui, que as danças de agência são simétricas, elas não privilegiam o ser humano e não estão centradas no humano. Somos agentes, mas são também agentes as rochas e pedras, gatos e câmaras de bolhas – todas essas coisas agem e interagem. E, especialmente nas ciências humanas, admitir tal simetria é heresia. As ciências humanas praticam uma espécie de “excepcionalismo humano” (Pickering, 2008a), lidando indefinidamente com o que é tão especial sobre nós, humanos: alma, mente, razão, linguagem, representação, vontade, intencionalidade, valores, etc. Recusar esse excepcionalismo – uma recusa de centrar a história no que há de especial em nós humanos – é o que primeiro me coloca diante da jurisdição acadêmica, penso eu (Pickering, 2009a).

 Uma observação a mais e então podemos seguir adiante. A “agência”, como eu uso esta palavra, é algo que emerge na prática com um sentido brutal. Os cientistas não podem saber de antemão como as montagens materiais que estabeleceram vão operar – Glaser teve que descobrir o que seus instrumentos faziam ao passo que os construía. Da mesma forma, nem mesmo o próprio Glaser sabia de antemão como reagir a um desempenho seu que surgisse – a agência humana também é emergente. Isto significa que as interpretações causais tradicionais são enganosas de uma maneira importante, e que, em vez disso, temos que pensar sobre processos evolutivos que olhem para diante, para danças de agência que exploram um mundo de emergências e de um devir intermináveis. Minha tentativa no “The Mangle” foi uma maneira de tentar conceituar isso.

Desde o laboratório para o mundo

Depois de escrever “The Mangle”, comecei a pensar em generalizar a história para além do laboratório (no final do livro, eu sugeri que se tratava de uma “teoria de tudo”). E rapidamente percebemos que nossas relações com animais, natureza e o ambiente são um lugar óbvio para olhar. Pode ser difícil pensar isto sobre a ciência ao longo destas linhas – estamos tão profundamente condicionados para identificar a ciência como conhecimento – mas é totalmente óbvio que nos envolvemos com o meio ambiente de forma performática. Em “The Mangle” eu mencionei o clima, mas pense em terremotos e tsunamis. De que outra forma poderíamos encará-los como manifestações da agência da natureza, frente às quais reagimos performaticamente, tentando evitá-los, geralmente através da Engenharia, mas sem nunca sermos bem sucedidos?

E para tornar essa imagem bem concreta, eu escolhi alguns exemplos, que posso discutir brevemente aqui. Um deles é uma história sobre espécies invasoras, enguias asiáticas no meio-oeste norteamericano (Pickering, 2005). Esta foi uma história divertida que eu encontrei no New York Times, sobre a importação dessas enguias para os EUA como animais de estimação. Eles acabavam crescendo rapidamente e um tanto assustadoramente. Os proprietários os descartavam em lagoas locais, onde se multiplicaram e competiram com sucesso por alimento com os peixes nativos. Isso perturbou os pescadores que gostavam de pescar a garoupa de boca grande, e então vários truques foram tentados para nos livrarmos das enguias, por exemplo, drenagem das lagoas. Isto não funcionou porque as enguias sobreviveram escavando a lama (ao contrário dos peixes, que morreram). Então as pessoas tentaram construir barreiras de concreto para impedir que as enguias chegassem a outros lagos e vias navegáveis – mas isso também não funcionou; as enguias simplesmente passaram sobre elas.

Para mim, este é um belo exemplo de uma dança de agências, desta vez não no laboratório, mas na natureza – um vai-e-vem performático do humano com o não-humano, no qual as enguias aparecem sempre como emergentes, surpreendentes, imprevisíveis. Eu quero ontologizar isto – quero tomá-lo como um pequeno modelo de como as coisas se dão no mundo em geral. O mundo está cheio de agentes que podem interferir uns com os outros com consequências, mas sem qualquer senso de controle. Agimos sobre as enguias e as perturbamos, mas os resultados não foram os esperados – eles eram emergentes – e vice-versa. Tudo isso me parece verdade, mas não se pode descrever isso na linguagem da ecologia ou da linha principal da sociologia: estas especialidades cortam e editam o mundo de tal maneira que isto desaparece.

Depois das enguias, focalizei o rio Mississippi, e a história maravilhosa de John McPhee das lutas entre o Mississipi e os Corpo de Engenheiros do Exército norteamericano- o ACE (Pickering, 2008b, McPhee, 1989). Como diz McPhee, esta tem sido também uma história de um vai-e-vem performático emergente. O rio faz algo – inundações – o ACE faz algo em resposta – levantar os diques, construir estruturas de controle; o rio responde a isso, sobe de nível, destrói as estruturas – etc. Surge uma dança de agências, agora em grandes proporções, em que o rio, as estruturas de engenharia que o rodeiam e, de fato, os grupos sociais e as estruturas que dependem do rio, foram todos emergentemente e imprevisivelmente transformados – transfigurados (“mangled”) – ao longo dos últimos 150 anos.

O que eu tirei disto, então, é que existem coisas interessantes e possivelmente importantes a dizer sobre o nosso estar em um ambiente no idioma performático, como eu o chamo, coisas que não podem ser expressas na linguagem das principais disciplinas envolvidas no problema: engenharia civil, hidrologia, sociologia, ecologia. Pensar em danças de agência nos oferece o que me parece uma nova perspectiva de estar no meio ambiente, uma perspectiva diferente daquela da ciência convencional, tanto nas ciências naturais como nas ciências sociais.

 

Ciência, emergência e ilhas de estabilidade

E daí? Onde isso nos leva? Deixe-me seguir uma linha de pensamento..
No final dos anos 90, a Universidade de Illinois onde eu então trabalhava obteve um grande subsídio para desenvolver um curso de graduação “transdisciplinar” para marcar o início novo milênio. Acabei co-organizando um curso com David Ruzik, um colega no departamento de engenharia nuclear. Ele deu a aula de abertura, e começou calculando a capacidade de carga do planeta Terra. Você calcula a quantidade total de solo arável que existe, quanto ela pode produzir (com adubo abundante, engenharia genética, e assim por diante) e divide por quanto uma pessoa precisa para viver. Isto fornece uma estimativa da população total que a Terra pode manter. A conclusão de Ruzik é de que não precisamos nos preocupar por um algum tempo. Isto não é, naturalmente, uma maneira incomum de raciocinar. Os alunos não tiveram dificuldade em entender e esta, de fato, pode ser a nossa maneira usual de pensar no que diz respeito às questões globais; de alguma forma isto exemplifica nossa maneira usual de “governar” o planeta. Mas, na época, eu fiquei estupefato com a arrogância de tudo isso, e agora eu posso dizer porque.

 Primeiro, porque ignora a emergência. Pressupõe que já sabemos todas as correntes de causa e efeito, de forma que nossas iniciativas terão as consequências esperadas, e somente aquelas. Nós alcançamos as alavancas do poder através do conhecimento. Tudo o que sei contradiz isto – a história de Glaser e da Câmara de bolhas; as enguias; o ACE e o Mississippi. O mundo é muito animado, vivaz. Podemos interferir performaticamente com ele, e ele vai responder, mas não há qualquer garantia de que seja a resposta que esperamos. Em segundo lugar, poderíamos perguntar onde foi parar a emergência no cálculo de Ruzik. A resposta é que a ciência convencional substitui a emergência de uma natureza verdadeiramente viva por outra com representações mecânicas que podemos entender. As alavancas do poder são claras no papel, embora não sejam claras no mundo. O mesmo se poderia dizer do Corpo de Engenheiros do exército americano. Eles também usam o melhor da ciência em suas relações com o Mississippi; às vezes isso funciona, às vezes não, e, às vezes, há uma emergência grave, como em 2005 com o furacão Katrina (Pickering, 2008a).

 Para onde podemos ir agora? Um ponto que deve ser reconhecido, e que certamente precisa de mais pensamento, é que, às vezes, conseguimos chegar ao topo da natureza, por assim dizer. As máquinas funcionam de forma confiável; os telhados mantêm a chuva lá fora. Geralmente, pensamos nisso em termos representacionistas. Os engenheiros nos explicam como as câmaras de bolhas e os reatores nucleares funcionam em termos de algumas leis da natureza, e geralmente tratamos isso como o fim da história. Assim, talvez, uma virtude da virada para o desempenho seja abrir a questão novamente. Desde a minha perspectiva, a produção de máquinas confiáveis não é de forma alguma uma realização cognitiva; ela depende, antes, do encontro de “Ilhas de estabilidade”, como as chamo, em interseções entre o humano e o não-humano. Essas “Ilhas de estabilidade” não são, de fato, dadas ou garantidas pelo conhecimento; nós deveríamos ver o conhecimento como brotando destas ilhas. E elas são coisas de oportunidades. Nosso contato com elas tem que ser continuamente reajustado de forma performativa. Câmaras de bolhas e centrais nucleares requerem manutenção para mantê-los em forma, e isto, mais uma vez, toma a forma de danças de agências. E devemos reconhecer que às vezes perdemos nossa base. Na primeira geração de câmaras de bolhas, a máquina Harvard-MIT explodiu, matando uma pessoa, ferindo outras pessoas e causando milhões de dólares em danos. Fukushima evoca resultados inesperados equivalentes a nível mundial (Pickering, 2012).

 Mas a pergunta que quero considerar agora é: a história de danças de agência nos ajuda a pensar em maneiras de prosseguir no mundo, outras maneiras de conduzir nossos desempenhos? Eu acho que sim. Nossa forma hegemônica de envolvimento com o meio ambiente que eu acabo de descrever – é o que Martin Heidegger (1977) chamou de “enframing” (enquadramento, emolduramento). Trata-se de um desvio, como disse Bruno Latour, através da ciência. Transformamos o mundo em representações científicas, descobrimos como dominá-las e então refazemos o mundo de acordo com nossos cálculos. Este desvio, é claro, é onde a emergência desaparece e onde as coisas podem ir muito mal. Qual é a alternativa? Ignorar o desvio, esquecer as representações, esquecer da ciência; reconhecer que o nosso estar no mundo está em sua raiz performática, e agir a partir disso.

Nós agora chegamos ao espaço interplanetário da Academia. Palavras, linguagem, símbolos, representações, ciência – são a moeda corrente em nosso comércio de acadêmicos, e minha recomendação é esquecer estes termos – ou, para falar de forma mais branda, quero colocá-los em seu devido lugar, vê-los como uma pequena parte de um mundo de desempenhos e do devir, de modo algum o centro deste mundo. Então, não fico surpreso quando meus colegas olham para mim sem entender quando digo coisas como estas. Mas podemos continuar. De uma perspectiva performática, a questão-chave é: com o que se parece esta outra forma daquilo que Heidegger chamou de “poiesis” e eu gosto de chamar “revelação”? Poderíamos nós viver sem o desvio através da ciência e do conhecimento? Deixe-me mostrar alguns exemplos, no sentido de uma prova da existência deste modo de ver, passando de relações passivas com a natureza para outras mais ativas.

 Hilozoismo

Eu moro no vale do rio Exe. Você pode ver muito facilmente onde está a planície de inundação do rio Exe, uma faixa plana de terra com mais ou menos uma milha com o Exe serpenteando através dela, cercado por Devon Hills, com seus campos povoados por vacas e ovelhas. Quando o rio inunda, como acontece muitas vezes, vacas, ovelhas e fazendeiros se mudam para terras mais altas. Lá estão algumas trilhas entrecruzadas, umas mais antigas, outras menos, vias usadas na inundação – calçadas, vias férreas, estradas – que parecem estranhas e intrigantes a maior parte do tempo, mas se tornam totalmente óbvia quando as águas sobem. Poderíamos dizer que ao longo dos séculos as pessoas no Vale do Exe encontraram um modo de viver em equilíbrio dinâmico com o rio; que isso teve muito pouco a ver com o desvio através da ciência; e que isso funciona. A configuração atual do Vale do Exe é um flagrante de uma postura reveladora (de revelação) – uma abertura performática ao que o rio vai fazer, e uma resposta performática para isso. A bela aldeia em que vivo, uma abordagem quase nômade da agricultura, e a estranha arquitetura do rio à sua volta têm todos surgiram através de uma longa dança de agências.

Naturalmente, o Exe é um rio pequeno, pouco importante no grande esquema das coisas. Por outro lado, o rio Reno, é grande e importante, e me parece que o atual projeto holandês “Espaço para Rios” é um renascimento da postura tradicional (Rohde et al., 2006, de Groot e Lenders, 2006; Palca, 2008). O “Espaço para Rios”, como eu o entendo, aceita que o rio inunde, no espírito de que é melhor para nós nos adaptarmos a inundações finitas e regulares do que tentar enquadrar o rio, com os desastres e catástrofes que inevitavelmente se seguiriam. Eu tentei chamar o “Espaço para Rios” de um projeto “hilozoista”. Hilozoismo, para mim, é a ideia de que tudo o que precisamos já está lá na natureza, e que nós podemos alcançar isto diretamente e performaticamente em vez de passar através de longos desvios de cognição para dobrar a natureza à nossa vontade. Eu comecei a pensar sobre isso quando estava tentando entender os projetos cibernéticos de computação biológica das décadas de 1950 e 1960. Naqueles projetos, a ideia verdadeiramente surpreendente era usar a ecologia de lagoas, por exemplo, para gerenciar fábricas (Pickering, 2009b, 2010). Agora, parece-me que a engenharia hidráulica em geral poderia estar se movendo nesta direção hiolozoista – um apercebimento de que talvez a natureza seja mais competente em controlar a si mesma, do que nós somos em controla-la.

Estes foram exemplos de deixar fluir; agora posso descrever relações mais ativas com a natureza. Em uma reunião em Oxford em dezembro de 2011 (“Practising Creativity: Thinking/ Making in the Act”) Sarah Whatmore mostrou uma imagem de novas represas sendo construídas a montante de uma cidade de Yorkshire chamada Pickering (uma coincidência com meu nome). A novidade destas represas é que eles parecem ter sido construídos por castores e não por engenheiros; elas são simplesmente malhas entrelaçadas de ramos atirados através de um córrego. O que me fascina nestas represas é que, em vez de dominar o fluir dos rios através de um desvio através da ciência, elas ensaiam uma dança de agências exploratórias com eles, descobrindo como responder à natureza. Obviamente, o estado das represas e como elas agem, depende da suas histórias, por exemplo, quanto detrito foi levado rio baixo e retido pelas represas, ou quanto foi retirado delas. Eu não sei se elas funcionam bem. Mas este é um exemplo de engenharia que segue o modo da revelação e descoberta, em vez do enquadramento e da dominação através do conhecimento.

Passando de micro- para macro-estruturas, poderíamos pensar sobre a barragem de Dujiangyan na China (Li e Xu,2006). Com 2.000 anos de idade, esta represa é famosa pela elegância do seu desempenho. Atua de forma diferente de acordo com a estação do ano e o fluxo de água no rio, desviando de forma diversa a água em canais de irrigação e amortecendo inundações. Eu não pude descobrir muito sobre a história da construção desta represa, mas não ela não foi projetada cientificamente e sua manutenção implica crucialmente uma dança entre o humano e o não-humano. A estrutura da barragem não é fixa; a cada ano ela é corroída por fluxos de água e a cada ano ela é reconstruída de acordo com a experiência do ano anterior. Não é coincidência, penso eu, que este seja é um dos lugares onde o céu e a terra se juntam – sempre parece haver um ângulo espiritual nas relações hilozoístas com a natureza.

Permanecendo no oriente por um momento, poderíamos pensar no conceito chinês de shi. Como o título do livro de François Jullien (1999) explica, o shi refere-se à “propensão das coisas ” para agir de uma certa maneira. A moral aqui é que o sucesso da ação humana depende da articulação ao shi em qualquer situação em que nos encontremos, indo com o fluxo, no sentido taoísta do termo. Fui informado que essa maneira de pensar é simplesmente senso comum na China, embora seja certamente estranha ao pensamento acadêmico ocidental. O que me intriga sobre isso é como se supõe saber de que maneira o shi está fluindo; qual é a propensão deste arranjo ou daquele outro? Mas pensar nisso pode nos levar a considerar algumas formas ainda mais ativas de revelação em nossa relação com o meio ambiente.

Em seu livro, “Seeing Like a State” (1998), Jim Scott se refere a um corpo de pensamento e ação que ele chama de “metis”, que ele vê como uma alternativa menos destrutiva à racionalidade do modernismo. Ele dá um exemplo que eu acho impressionante, de uma abordagem tradicional japonesa ao meio ambiente:

“O controle da erosão no Japão é como um jogo de xadrez. O engenheiro florestal, depois de estudar seu vale de erosão, faz seu primeiro movimento, localizando e construindo uma ou mais represas de verificação. Ele espera para ver qual é a resposta da natureza. Isso determina qual é o próximo passo do engenheiro florestal, que pode ser uma outra represa ou duas, um aumento na antiga represa, ou a construção de paredes laterais de retenção. Outra pausa para observação, e o próximo passo é dado, e assim por diante, até que a erosão é domada. A operação de forças naturais, tais como sedimentação e re-vegetação, é guiada e utilizada com a em nossa vantagem para manter os custos baixos e obter resultados práticos”

Claramente aqui, o engenheiro está descobrindo qual é a propensão do vale e da água, e ele faz isso deliberadamente encenando uma dança performática de agências: tentando isso ou aquilo, vendo o que acontece, tentando algo mais, como fez Glaser em sua invenção da a Câmara de Bolhas. Então, aqui temos um exemplo muito bom de uma espécie de descoberta proposital de como controlar a natureza sem qualquer desvio através da ciência e da representação – uma forma de lidar com dança de agências em vez de tentar interrompe-la através do conhecimento.

Um ponto a salientar, então, é que uma perspectiva performática não nos obriga a simplesmente
deixar a natureza seguir seu próprio caminho, como no vale do Exe; em vez disso abre-se a possibilidade de colocar em primeiro plano e evocar na prática danças de agências que emergem, em vez de lançar um véu científico sobre elas. Pode valer a pena notar também que se pode falar de experimentos em relação a isso: o engenheiro florestal japonês certamente faz experimentos com os fluxos de água no vale. Mas este não é mesmo sentido do “experimento” normalmente associado com a ciência. O experimento científico depende do desvio a que tenho me referido: um deslocamento de fenômeno para longe do mundo e para o laboratório para gerar conhecimentos que possam ser reexportados para o mundo – que é, por exemplo, como o Corpo de Engenheiros do Exército americano prossegue em suas negociações com o rio Mississippi. O exemplo de Scott aponta para outro tipo de experimento que envolve interação performática com a própria coisa, sem nenhum deslocamento (para o laboratório), e focalizado em um resultado performático em vez do conhecimento exportável – poderíamos chamar isso de “experimentação nativa” (seguindo Hutchins, 1995).

 Novamente, podemos ampliar este exemplo e também atualiza-lo. Lisa Asplen escreveu sobre maneiras performáticas e compatíveis com “The Mangle” de se dar bem com o meio ambiente. O modo mais fácil de se pensar é chamado gestão adaptativa (Gunderson e Light, 2006). Assim como o exemplo japonês, a gestão adaptativa, como eu a entendo, tem tudo a ver com a experimentação nativa e a encenação danças de agências como uma maneira de explorar o shi de qualquer situação. Asplen (2008) discute Inundações experimentais no rio Colorado encenadas rio abaixo a partir da represa do Glen Canyon. A ideia era entender como o rio e o ecossistema a jusante reagiriam a diferentes fluxos de água, como base para futuras ações. Um ponto importante que Asplen enfatiza é que, embora os cientistas envolvidos tivessem suas representações científicas convencionais da dinâmica fluvial, eles estavam preparados para descobrir que estavam errados – como de fato alguns estavam; algum equipamento de monitoramento valioso foi simplesmente foi levado pelo rio; o rio e o ecossistema se reconfiguraram de maneiras que surpreenderam os cientistas. Esse tipo de experimentação nativa, então, está alerta ao surgimento de danças de agências, interessado nelas, sem tentar cortar caminho através do conhecimento. Asplen (2008) também discute projetos de restauração. Estes soam como exercícios clássicos de enquadramento, tentando colocar a natureza em conformidade com uma dada representação do que ela deveria ser. Mas o que Asplen salienta é, novamente, que os restauradores estão alertas para emergência, permitindo que suas metas variem à luz do que surge nas danças de agências – toda uma nova formação ecológica no caso que ela estudou.

Imaginando outra ciência

Isso nos traz ao fim dos meus exemplos; a que ponto chegamos? Por um ângulo, minha ideia básica é que podemos entender o mundo como construído a partir de danças performáticas de agências. Isso é o que há no mundo; esta é minha visão ontológica. Então, minha ideia é que nós geralmente nos esforçamos para não ver isso. Nós editamos os aspectos emergentes da dança de agências e os substituímos por representações científicas e agimos com base nessas representações. Assim como Heidegger, eu acho que essa é nossa maneira característica de habitar o mundo na modernidade, em relação ao meio ambiente e a muito mais. Mas algo construtivo que deriva de minha análise é que ela nos ajuda a imaginar outra maneira de estar no mundo – de experimentar diretamente, e aprender com danças de agências, em vez de nega-las através de algum truque de mãos epistemológico.

Eu não falei sobre isso, mas eu também acho que é óbvio em meus exemplos que esta outra maneira de proceder – a maneira hilozoísta de revelação – é, pelo menos, muito menos propensa a fazer surgir um lado negativo, enquanto que a postura de enquadramento e dominação está muito a seu favor. Por outro ângulo, este ensaio é uma tentativa de argumentar que há coisas interessantes e talvez importantes a serem ditas no idioma performático. Como eu mencionei antes, muitas vezes sinto que cheguei ao espaço sideral, mas não acho que tem de ser o espaço sideral, mesmo para os acadêmicos. Esta deveria ser a nossa casa, o lugar de onde partimos e ao qual retornamos em nossas explorações. Para terminar, talvez eu deva explorar um pouco mais longe como devemos pensar sobre a própria ciência.

Eu disse antes que deveríamos nos livrar da ciência, mas eu qualifiquei isso imediatamente dizendo que o que eu realmente queria, era colocar a ciência em seu devido lugar. O que está acontecendo aqui? Nós podemos começar por pensar sobre o tipo de conhecimento da ciência convencional que meu amigo David Ruzik usou para calcular a capacidade de carga da Terra. Tenho vontade de dizer que precisamos de mais deste tipo de conhecimento, mas que devemos confiar menos nele. A pior coisa que podemos fazer é esquecer a emergência, adotar uma interpretação realista radical das crenças atuais e colocá-las em prática, aconteça o que acontecer. Receio que seja assim que pensamos na maior parte do tempo; eu espero que os cientistas ambientais estão agora percebendo que isso não funciona muito bem e simplesmente convida a desastres. Em vez disso, devemos ver o conhecimento científico pelo que ele é – uma forma localizada, parcial e retrospectiva, de fazer sentido do que aconteceu até agora. Cognitivamente, pode ser o melhor que podemos fazer; é a nossa maneira de pensar sobre o futuro; mas ela está sempre susceptível a dar errado. A novidade emergirá da dança da agências, e então nós vamos rever, ou deveríamos rever nossas ações e crenças. Praticamente, isso significa que quando se trata de aplicar na prática nossas visões científicas, devemos estar alertas para surpresas e dispostos a modificar tanto o nosso conhecimento e os nossos planos em conformidade com isso. Um monitoramento constante do desempenho mundano – é isso que quero dizer ao dizer que deveríamos confiar menos na ciência.

Um dos ciberneticistas que estudei, Stafford Beer, uma vez escreveu um artigo com um título pomposo: “The Surrogate World We Manage ” (“O mundo substituto que gerenciamos”) (Beer, 1975). Seu argumento era que muito gerenciamento é totalmente focalizado em um mundo de papel de representações, e que as consequências do mundo real variam de lamentáveis a catastróficas (pense na chamada crise financeira atual). Este é o tipo de gestão com a qual precisamos ter cuidado. E eu poderia apenas mencionar que isso sempre me pareceu um pouco abstrato até que eu voltei para a Grã-Bretanha em 2007. Eu agora trabalho em um daqueles mundos substitutos sobre os quais Beer nos advertiu. Estou certo de que a Universidade de Exeter parece esplêndida no papel. Você pode realmente encontrar diagramas de relatórios atuais e fluxogramas em quadros brancos nos escritórios. Em contraste, no viver diário, estamos todos ficando loucos tentando reconciliar ensino e pesquisa com um fluxo de comandos impossivelmente irrealistas. Imagino que muitos rios sentem o mesmo. Apenas para seguir esta tangente um pouco mais longe, me lembro de um outro ciberneticista, Gregory Bateson. Bateson, passou de um interesse em esquizofrenia na década de 1950, para as preocupações com o meio ambiente nas décadas de 1960 e 1970, e chegou a análises muito semelhantes dos dois temas

(Bateson, 1968, 2000). Ambos circulam em torno de tentativas de estabelecer um modelo moderno em um sistema emergente muito animado – enquadrando eus e rios respectivamente – e as consequências desastrosas que se seguem quando os projetos falham. O furacão Katrina como a loucura do rio Mississippi; a loucura como o Furacão Katrina da alma.

Podemos voltar para a ciência. Cada vez mais penso que isso faz sentido: distinguir entre dois paradigmas diferentes, no sentido de Kuhn, o pensar e o agir no mundo (Pickering, 2009b, 2010). Um destes paradigmas, é o paradigma moderno, exemplificado aqui pelos cálculos de Ruzik. Como disse Heidegger, isso se baseia no tipo de ciência que faz o mundo calculável e configura-lo para o enquadramento. Mas existe um tipo de ciência diferente, que Heidegger não pensou que representa o mundo de forma diferente. A cibernética seria um exemplo desse outro paradigma, mas a Teoria da complexidade é provavelmente uma versão mais atual. Eu não sou um especialista nesta versão de estudos, mas posso esboçar alguns pensamentos tentativos.

Primeiramente, eu gosto muito da abordagem da complexidade. Ao invés de modelos lineares de causa e efeito, ela nos oferece uma visão de “campos de atração” em formações sócio-ecológicas altamente complexas – atratores que puxam essas entidades de volta para tipos de estados, até que se cruza uma fronteira quando elas se voltam para outro atrator, para o melhor ou para o pior (Folke, 2006; Miller et al., 2010). Isso me soa como uma representação muito melhor de como o mundo é, do que cálculos de qual é capacidade de carga da Terra. E esse tipo de representação certamente serve como um alerta contra a tentativa de editar rapidamente a emergência e surpresa. Mas duas perguntas surgem a partir de uma perspectiva performática: uma volta à questão do realismo: devemos crer nesses tipos de representações: eles literalmente descrevem como o mundo é? No mundo da filosofia Deleuziana, Manuel DeLanda (2002) responderia sim a essa pergunta e então prosseguiria com atratores e com a estrutura do que é “virtual”. Eu me inclino a dizer não. Que a complexidade é boa para a construção de uma alternativa não-moderna e de um imaginário, para pessoas que precisam desse tipo de coisa. Se vocês são fãs da ciência e gostariam de pensar em escapar do enquadramento, então leiam alguns artigos sobre a complexidade – eles mostram como um simples mundo determinista pode, no entanto, gerar continuamente surpresas.

Mas de outro ângulo, estou inclinado a me perguntar o que mais a complexidade pode fazer por nós. Eu não acho que há muita esperança de sempre conseguir delinear as complexidades reais de qualquer ecossistema Importante real, de mapear os atratores e seus limites; e eu certamente não acho que há qualquer esperança de fazer isso para os sistemas sócio-ecológicos. Falando ex-cathedra como um sociólogo, modelos multi-agentes de sistemas, por exemplo, não me lembram de nada que eu tenha encontrado em minha pesquisa. O mundo social não é construído a partir de N agentes intercambiáveis e que poderiam ser idênticos. Na melhor das hipóteses, estes modelos podem funcionar como auxílios à imaginação.

No final, o que me fascina é como as pessoas sentem que é necessário embarcar em desvios incrivelmente longos, complexos, caros, desvios cansativos através da ciência para entender que tipo de lugar o mundo é. Por que se preocupar, quando você simplesmente tem que olhar? Por que é tão difícil para nós ver apenas que vivemos em um mundo que é animado e surpreendente? Provavelmente, isso começa com o que ensinamos aos nossos filhos na escola – mas esta é outra história

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NOTAS

[1] Este artigo é uma versão revisada de uma palestra dada na OxfordUniversity, em 2 de fevereiro de 2012, como parte de uma série de “Palestras Linacre” sobre “Governança Ambiental e Resiliência”. Sou grato pelas discussões em Oxford e também a Laura Rival pelo Convite para falar e seu encorajamento para revisar o texto para publicação.

[2] O termo aqui é “struggle”, que não é uma luta no sentido físico, mas dificuldades intensas em um envolvimento.