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Galileo e a origem da ciência

Blog da SBI-NOVEMBRO de 2010

Galileo e a origem da ciência

Nelson Vaz

Pode-se dizer que a ciência, como a conhecemos hoje, nasceu quando Galileu Galilei voltou seu telescópio pimiitivo para o céu noturno e viu as luas de Júpiter; ou, quando ele pubicou suas observações. Mas nada aconteceu até que ele insistisse em observações independentes para confirmar suas conclusões. Somente então, algumas pessoas influentes acreditaram que suas propostas tinham algum fundamento e, com o tempo, isto levou a uma melhor compreensão da construção de telescópios e das condições adequadas para onbservações astronômicas. Então, a ciência nasceu quando se deram certas coordenações da conduta humana (McMullin, 1997).

Maturana diria que este não foi o passo crucial no nascimento da ciência, porque todas as ações humanas relevantes também dependem destas coordenações de conduta, e da coordenação de tais coordenações – uma maneira de viver que ele chama de linguagear humano. A ciência nasceu quando se alcançou um consenso sobre os critérios de validação das observações científicas, que são diferentes dos critérios de validação de outros tipos de explicação: explicações mágicas, estéticas ou morais. Portanto, o verdaeiro núcleo da ciência está nos critérios devalidação de suas explicações.

Tais critérios são aceitos quase universalmente, mas Maturana propõe algo mais sobre o qual muitos cientistas se oporiam fortemente. Ele afirma que as explicações científicas não estão baseadas na existência de uma realidade objetiva, separada, na qual entidades e fenômenos existem e se dão independentemente das observações humanas. Ele coloca o objetividade entre parênteses afirmando que sim, nossas realidades estão cheias de objetos e fenômenos, mas se os distinguimos ou não, depende de nossa história pessoal. E nossa história como seres humanos depende de coordenações de conduta com outros seres humanos, e da coordenação destas coordenações – depende do linguagear humano, das ações através das quais distinguimos objetos e fenômenos (Maturana Y Mpodozis, 1987; Maturana, 2002).

 

Bibliografia

Maturana HR, Mpodozis J. Perception: behavioral configuration of the object. Arch Biol Med Exp (Santiago). 1987;20(3-4):319-24.

Maturana H. Autopoiesis, structural coupling and cognition: a history of these and other notions in the  biology of cognition. Cybernetics & Human Knowing. 2002; 9(3-4):5-34.

McMullin, B. (1997) Modelling autopoiesis: Harder than it may seem. In: M.C. Magro (Ed) Biology,   Language, Cognition and Society – International Symposium  on Autopoiesis, Belo Horizonte MG Brasil