Humberto Maturana

Humberto Maturana: Influência versus Controle – 2011

Humberto Maturana: Influência versus Controle – 2011

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Auer Fokus 2011: Humberto Maturana über “influence vs. control”

https://www.youtube.com/watch?v=NDYpXnnw8yQ

A diferença fundamental entre influenciar um processo e controlar este mesmo processo está na emoção sob a qual a pessoa atua, age. No controle, a pessoa pensa, isto é, vivencia a emoção que faz com que ela avalie se o que está sucedendo corresponde ao que ela espera que se passe. E se isso não se passa, a pessoa deseja ter instrumentos ou elementos que a permitam interromper ou reorientar este processo. Isto é o que o controle significa. No procedimento de controle em uma fábrica, na fiscalização sobre produtos que saem de uma linha de produção, no verificar se eles satisfazem certos critérios, isto é exatamente o que fazemos. Mas a emoção não está na ação que efetivamente se executa, mas no que se passa comigo quando eu constato que alguns destes produtos não satisfazem as especificações estabelecidas para sua produção. Neste caso, eu tenho que examinar toda a linha de produção, qualquer que seja ela.

Nas relações interpessoais a situação é muito diferente. Em ambos os casos, na fábrica e nas relações humanas, certas coisas deveriam se passar de acordo com certas especificações ou expectativas que eu tenho. Então, me aproximo para ver se estas condições estão sendo satisfeitas, ou não, e guiarei minhas ações de acordo com o que sinto quando constato que as coisas não sucedem de acordo com minha expectativa.

Na fábrica, se as coisas não se passam de acordo com minha expectativa, isto significa que as pessoas envolvidas na produção não estão procedendo com eu julgo que elas deveriam proceder. Posso ter, então, duas atitudes fundamentais. Posso conversar com uma pessoa e convida-la a examinar o que está fazendo de forma que ela possa compreender em que sentido o que está sucedendo não satisfaz minhas expectativas. Isto se refere a minhas expectativas; sou eu que estabeleço os critérios de qualidade. Mas minha atenção não se refere ao processo de produção inteiro, mas sim está nas pessoas que recebem um salário (para realizar algo, mas) cujas ações eu considero inadequadas.

Quais serão minhas emoções? Como agirei? Com raiva? Com curiosidade? Abrirei espaço para uma conversa, de forma que a pessoa pode refletir e ver qual é a dificuldade, e pode me mostrar o que sucede e porque o produto está sendo modificado, e em que sentido isto depende do que ela faz? Ou, seja lá o que for. Mas, ou me irrito, ou me torno curioso. São duas coisas completamente diferente.

Com a maquinaria, não há problemas. Posso me preocupar com o custo de modificar a linha de produção para que o produto atenda exatamente às minhas expectativas. Mas não há verdadeiramente um problema nisso. Os problemas são sempre consequências de emoções, sempre. Os problemas nunca são dificuldades lógicas, nunca surgem da função inadequada de uma máquina. São sempre o resultado de emoções. Quero fazer tal coisa e esta outra coisa está acontecendo. Quero que esta pessoa atue desta forma e ela atua de maneira diferente. Portanto, o controle ou a reorientação de ações que estão sucedendo (em algum domínio), tem a ver com minhas ações, se eu vou modular ou não o que se passa quando o resultado não corresponde a minhas expectativas.

Agora, influenciar um processo é algo diferente. Por exemplo, o que sei sobre Física, sobre a Física clássica, a Física moderna, e a relevância disso sobre meu trabalho. Se o que sei de Física, como usei certas ideias da Física, em meu trabalho, ou, se uma reflexão sobre a Física me fez reorientar meu trabalho em um direção completamente diferente porque notei que há uma maneira interessante de fazer perguntas, que eu não estava usando. Nesta caso, posso dizer que, sim, isto (as ideias da Física) me influenciou, mas não tirei as ideias de lá; eu aprendi algo com minhas reflexões sobre isto. Então a a influência é diferente do controle…

A não ser que eu esteja me queixando de algo. Posso dizer a alguém “…você foi influenciado por fulano, e eu não gosto…” de fazer isto ou aquilo. Novamente, uma questão de emoções.

Emoções não são coisas negativas. A emoções são a base de tudo o que fazemos. As emoções estão na base de todos os sistemas racionais, porque elas determinam quais premissas fundamentais usaremos para desenvolver o sistema racional. Mas as emoções humanas são muito delicadas porque elas podem gerar cegueira. A raiva gera a cegueira. A curiosidade abre a visão, o ouvir. Então, no influenciar atentamos para o que se passa de uma outra maneira.

Agora, há maneiras (métodos) de influenciar (as pessoas)? Bem, um psicólogo diria que sim: existe coação, existe medo (ameaças); ou, manifestações de aprovação, de apoio. E usaremos uns ou outros de acordo com o que desejamos que ocorra. Mas isto é diferente do controle. Ninguém gosta de ser controlado, porque o controle representa a ausência de confiança. Quando você confia, não controla. Você pode ir até alguém e perguntar: “Você encontrou alguma dificuldade? Posso ajudar?”. Isto é completamente diferente de perguntar: “Como você está se saindo? Está se dando bem?” Uma coisa é cooperação, a outra é controle, desconfiança. Estas são questões fundamentais, em todos os aspectos, por todo lado, em todas as atividades coletivas humanas.