Lado alado - 1997

Lado alado: Contracapa

Lado alado (contracapa) 1997

Em 1930, havia pitangueiras na areia das praias de Niterói. Nasci em 1936 de pai mineiro e mãe alagoana. Já não vi as pitangueiras, mas amei demais aquele litoral. Nos anos 40, o mundo em guerra, desenhava aviões de mergulho Stuka alemães e Mustangs americanos, lia o Tesouro da Juventude e Julio Verne, vi carros a gasogênio e as primeiras filas de minha vida. Cavalgava em pelo os cavalos que o Instituto Vital Brazil, deixava descansando da produção de soro anti-tetânico; estava fadado a ser imunologista. Comecei no Vital Brazil mesmo, depois Manguinhos, New York, Denver. Em 1984, fugi do Rio para a UFMG. Nunca publiquei poesia e esse livrinho me encabula como que. Casei e descasei muitas vezes, tive filhos demais. Tenho esse compadecimento pelas coisas serem as coisas, as pessoas serem quem são; nascer, amar, partir, chegar, ajudar, se enganar, recomeçar, envelhecer, morrer – isso tudo que não cabe na gente e às vezes se derrama em palavras ou gestos. Esse livrinho é um gesto impensado, culpa da Ana.