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Metálogo-3 (a la Gregory Bateson)

Metálogo-3 (a la Gregory Bateson)

13-09-02 blog da SBI outubro – 2013

Filha:     Pai, porque não existem vacinas contra todas as doenças?

Pai:         Porque não sabemos como inventá-las.

F:              Mas, Pai, as vacinas são inventadas ou descobertas?

P:             Prefiro pensar que nós as inventamos; que antes disso, elas não existiam.

F:              O que falta saber para inventarmos as vacinas que faltam, Pai?

P:             Muita coisa, muita coisa mesmo. Na realidade, a gente nem sabe direito como e por que      funcionam algumas das vacinas que usamos; elas foram inventadas empriricamente.

F:              O que quer dizer “empiricamente”, Pai?

P:             Quer dizer que foram inventadas por experiência e erro; que fomos assimilando o que dava               certo, melhorando aqui e ali; pondo açnoes em prática antes mesmo de saber bem o que          fazíamos.

F:              Mas isso não é perigoso, Pai, fazer as coisas sem entender direito?

P:             Bem…é. Mas a gente não “sabe direito” o mecanismo de muitas coisas que fazemos.

F:              É mesmo, Pai? Me dê um exemplo.

P:             Para ficar no nosso assunto, não sabemos direito o que são as doenças infecciosas.

F:              As doenças infecciosas não são causasdas pelos micróbios, vírus e parasitas?

P:             Cá estamos nós novamente encontrando a ideia de “causas”. Neste modo de ver, a “causa” das     doenças infecciosas seria diretamente o contágio, a exposição do corpo aos micróbios.

F:              E não é, Pai?

P:             O contágio é necessário, mas não é suficiente. Há pessoas que são contagiadas e não       adoecem; algumas estabelcem uma convivância harmônica com micróbios que podem “causar”    doenças em outras pessoas. Elas são chamadas de “portadoras sãs”, porque permanecem               sadias. O adoecer depende do tipo de relação estabelecido entre o organismo e o micróbio.

F:              Oh.

P:             Nas esta não é exatamente a parte importante do problema.

F:              E qual é a parte importante, Pai?

P:             É que a gente convive harmonicamente com uma quantidade enorme de micróbios, muito, muito maior e mais diversa do que os micróbios que, eventualmente, crescem quando algumas               pessoas adoecem.

F:              É assim com os vírus também,Pai?

P:             O caso dos vírus é ainda mais sério. Ao que tudo indica, boa parte dos nossos genes tem uma         origem viral, foram assimilados de vírus chamados retrovírus. A formação da placenta humana,     por exemplo, depende de uma proteína conhecida como sincitina que é ou era originalmente          produzida por um retroivírus.

F:              Oh! E com os parasitas é assim também, Pai?

P:             Também. Em uma certa maneira de ver, cerca de trinta porcento dos sers vivos podem ser                  considerados “parasitas”. E isso não leva em conta os insetos que se alimentam de plantas, os                   fitófagos.

F:              Mas, então, Pai, esta história de doenças infecciosas geralmente é mal entendida?

P:             As doenças infecciosas continuam a ser a principal causa de morte de crianças nos países mais       pobres, principalmente por diarréia. Mas nos países mais ricos, as doenças crônicas, como a         hipertensão arterial e a diabete, têm se tornado cada vez mais importantes. E o mesmo se passa     com as doenças alérgicas como a asma.

F:              Quer dizer, os pobres sofrem mais de doenças infecciosas, enquanto os ricos sofrem mais de          doenças crônicas e alérgicas. É isso, Pai?

P:             Há uma tendência nessa direção, sim.

F:              O que ´”tendência”, Pai?

P:             Quer dizer que não sabemos bem o que está se passando e as coisas estão inclinadas em uma       certa direção.

F:              Oh!