Andrew Pickering

O mundo desde Kuhn (2012)

O mundo desde Kuhn
Andrew Pickering

Social Studies of Science 42(3) 467–473 (2012)
DOI: 10.1177/0306312712440503
Email: a.r.pickering@exeter.ac.uk

Palavras-chave:
Thomas S Kuhn, mundos diferentes, Estrutura das Revoluções Científicas,

“O historiador de ciência pode ser tentado a exclamar que
quando os paradigmas mudam, o próprio mundo muda com eles
…Em um sentido que não consigo explicar além disso, os proponentes
de paradigmas em competição praticam seus ofícios em mundo diferentes.”
(Kuhn, 1962: 111, 150)

The Structure of Scientific Revolutions, se for visto
como um acúmulo de velhos argumentos muito gastos
sobre a epistemologia, pode produzir uma transformação
decisiva na imagem do mundo que agora nos possui
(Adaptado de Kuhn, 1962: 1)

 

 A capa de trás da terceira edição dolivro de Kuhn diz que The Structure of Scientific Revolutions, é um dos 100 livros mais influentes escritos desde a segunda guerra mundial. Gostaria de saber quais seriam os outros 99. Em muito poucas páginas, Kuhn reuniu linhas de pensamento provocador da história, filosofia e psicologia em uma visão sedutora, inesquecível e neo-Hegeliana do que é a ciência e de como ela muda. De fato, sedutora demais talvez até para o próprio Kuhn. Duvido se alguém, incluindo Kuhn, tenha visto” alguma vez um novo paradigma em sua forma fresca e original emergir como uma fenix das chamas da auto-imolação de seu predecessor. Pode ter chegado o tempo de desagregar a estória de Kuhn: quero abrir seu tema sobre “mundos diferentes” sem me preocupar muito em encaixa-lo em uma grande narrativa da história da ciência (1)

 A ideia de “mundos diferentes” me fascinou desde minha primeira leitura do livro de Kuhn. No discurso clássico, o livro foi mergulhado em discussões epistemológicas nebulosas de suas implicações sobre a racionalidade do progresso científico, ou da falta dela. Mas minha sugestão é que deveríamos abordar o texto ontologicamente, como uma observação desafiadora sobre o lugar misterioso que habitamos. Em vez de ver os “mundos diferentes” como um problema para a filosofia analítica da ciência – no pior sentido, algo que devemos eliminar –, deveríamos tomar este conceito como um convite ao pensamento construtivo e ao deslumbramento. Minha ideia aqui é rever uma coleção de eventos históricos tirados de meu próprio trabalho, e explorar algumas linhas de pensamento sobre os mesmos, incluindo a possibilidade de conectar mundos diferentes, na esperança de encorajar outros a se engajarem. Primeiro, um comentário sobre a perspectiva geral do se segue.

Uma leitura de Kuhn poderia ser idealista: a estrutura do mundo de adapta às ideias humanas sobre o mesmo – assim como o Sol e a Terra mudaram de posição em algum momento do trajeto entre Ptolomeu e Newton. Meu entendimento é diferente. Todos vivemos no mesmo mundo, e se a raça humana deixasse de existir o mundo permaneceria sem outras grandes mudanças. Mas o que a história da ciência nos mostra é que este mundo é inesgotável: um mundo Taoísta de fluxos sem fim, mundos descentrados, de emergência imprevisível, de transformações e mudanças. E nosso modo científico de existência nesse mundo é um modo de encontrar ilhas de relativa estabilidade neste fluir. Estas ilhas são em si mesmas indefinidamente múltiplas, não originais, e são aquilo que podemos entender como mundos diferentes.(2) Na esperança de minimizar a confusão no que se segue, refiro-me ao substrato Taoísta como “natureza” (no singular), e a estas ilhas de estabilidade como “mundos” (no plural).

Micro-mundos

 Quando a Estrutura ainda estava em discussão, estudei uma controvérsia sobre relatos experimentais sobre a existência de quarks livres (Pickering, 1981, 1995: cap. 3). William Fairbank em Stanford afirmava ter tal evidência; Giacomo Morpurgo em Gênova afirmava o contrário. A questão era como fazer sentido desta divergência, como um analista. Ambos os físicos pareciam racionais e eu não conseguia uma explicação sociológica. Em vez disso, conclui que os dois homens viviam e trabalhavam em mundos diferentes – um que continha quarks livres, outro do qual os quarks livres estavam ausentes – e que isto deveria ser entendido pelo reconhecimento de que eles haviam encontrado maneiras diferentes de se conectar com a natureza; isto era o que os afastava. Três comentários se seguem.

Primeiro, traduzido na noção epistemológica de incomensurabilidade, a maioria das discussões da tese de mundos diferentes, incluindo o trabalho subsequente de Kuhn (por exemplo, Kuhn,1991), focalizaram o problema da linguagem e da possibilidade de tradução (comensurabilidade). Mas na controvérsia sobre os quarks não era citada nenhuma questão interessante sobre a linguagem. Fairbank e Morpurgo pareciam se compreender um ao outro perfeitamente. A diferença marcante entre eles estava nos instrumentos que eles usaram. Ambos realizaram versões atualizadas do experimento de MIlikan com gotas de óleo, mas Fairbank usou materiais supercondutores a baixas temperaturas e análises computacionais sofisticadas (seu forte); Morpurgo (um teorizador na maioria do tempo) trabalhou à temperatura ambiente com materiais mundanos. Seus mundos, portanto, estavam situados em interfaces da natureza com a cultura, em uma zona de interseção produzida por diferentes montagens experimentais. E esta, então, é uma maneira de começar a pensar sobre mundos diferentes: a de que eles podem ser produzidos, não por diferenças na linguística, mas por diferentes escolhas materiais de como conectar com a natureza. Contate a natureza desta maneira, com estes materiais, e você terá este mundo; e outro mundo pode (não, precisa) ser produzido de outra maneira, com outros materiais. (3)

Segundo, Fairbank e Morpurgo lutaram por seus respectivos mundos e para desacreditar o outro em análises da força e da fraqueza dos diferentes arranjos experimentais, mas isto os levou simplesmente mais para dentro do desconhecido. Embora todo mundo concordasse com a forma básica de seus experimentos e sobre como eles deviam ser interpretados, quando chegávamos aos detalhes específicos – por exemplo “path effects” em placas de metal –não se chegava a uma história física concordante. Segundo eu vejo, isso aponta para a visão ontológica global que mencionei: para a natureza como uma fonte inesgotável de fenômenos emergentes e de forma alguma o tipo de lugar que nos obriga a habitar um mundo específico em vez de outro (4).

Terceiro, Peter Galison (1997) criticou Kuhn por pintar um quadro enganador dos paradigmas como “impérios em ilhas” sem comunicação umas com as outras, mas talvez isto mereça mais considerações. Ao nível da linguagem, como eu disse, Fairbank and Morpurgo não tinham dificuldade de se comunicar um com o outro. Por outro lado, ao nível da prática e da abordagem material à natureza, os dois físicos pareciam estar diante de uma escolha nítida: entre o modo de Fairbank e um mundo com quarks livres, ou o mundo de Morpurgo e sua ausência. A expressão “impérios em ilhas” parece se aplicar bem aqui. Mas a história deste episódio era mais complexa e interessante que isso. Alguns físicos buscaram maneiras de apagar esta diferença e trazer Fairbanks e Mopurgo a um mesmo mundo. Teorias elaboradas foram criadas para explicar o fato de que os quarks livres estavam preferencialmente associados com elementos pesados (nióbio, Fairbanks) que com elementos leves (carbono; Mopurgo) e experimentos foram projetados para explorar esta possibilidade. Lembro-me aqui da discussão de Feyerabend (1978) sobre interações abertas entre tradições incomensuráveis e a possibilidade de emergência genuína de novidades neste processo. Está certo pensar em mundos diferentes como “impérios em ilhas” na medida em que isto requer um trabalho construtivo para uni-las, E também devemos lembrar que este trabalho pode fracassar. O experimento com elementos pesados não levou a lugar algum, a controvérsia permaneceu sem solução. Fairbank faleceu e o equilíbrio tendeu a favor de Morpurgo (outra observação Kuhniana) (5)

 Macro-mundos

Em Constructing Quarks (1984), argumentei que podemos achar uma multiplicidade similar de mundos em vários exemplos na história da Fisica de partículas atômicas, no deslocamento de “velha-Física” pela “nova-Física” em meados dos anos 1970. No nível teórico, isto envolveu uma passagem do modelo de quarks constituintes e “polos Regge”, para teorias de “gauge-field” de quarks e leptons que desde então se transformaram no “modelo padrão”. Mas, como assinalei, este deslocamento teórico se manteve coeso por uma mudança na maneira dos físicos interagirem com a natureza. A velha maneira de fazer experimentos – focalizados em fenômenos de baixa energia e “soft-scattering” – foram substituídos por montagens (incluindo algoritmos de filtragem) que focalizam processos de “hard-scattering” e desprezam o restante dos dados. Aqui, novamente, portanto, podemos falar de mundos diferentes como diferentes ilhas de estabilidade apoiadas por diferentes abordagens materiais à natureza, mas agora a nível de toda uma comunidade científica em vez de cientistas individuais. Seguindo Kuhn, podemos dizer que os praticantes na velha e da nova Física operam em mundos diferentes.

Novamente, nesta instância, alguns físicos tentam unir estas ilhas imperiais de maneira construtiva, a la Feyerabend. Todo uma nova e dispendiosa área de pesquisa surgiu no campo de computação paralela, tentando mostrar como “ressonâncias” de baixa energia (velha Física), poderiam aparecer na strongly coupled field theory (nova Física). Mas até onde eu sei, este esforço nunca foi além do que já estava dentro dele desde o começo, e ele adicionou muito pouco (6).

Podemos argumentar que isso mostra como se tornou irracional o campo da Física de partículas desde a segunda guerra mundial (7). Minha recomendação é, em um primeiro momento, esquecer da racionalidade e focalizar este episódio como um lindo exemplo empírico sobre o que a tese de Kuhn sobre mundos diferentes pode significar. Antes e depois da “Revolução de novembro” criada por um novo quark (charm quark), os físicos abordavam a natureza de modos diferentes, usando máquinas e instrumentos diferentes e desencadeando fenômenos diferentes, explicados de diferentes maneiras, tudo isso se encaixando em uma agenda diferente para a pesquisa futura. Devemos reconhecer este fato histórico que nos fala da multiplicidade de ilhas de estabilidade – mundos diferentes – que a natureza nos oferece. A natureza é assim. Este é um lindo achado ontológico da história da ciência que merece muito pensar, filosoficamente e de outras maneiras. Depois, poderíamos voltar à epistemologia se quisermos, e talvez reconfigurar nossa noção de racionalidade de acordo com isso. (8)

 De volta à natureza

 A Física, um campo altamente respeitado e bem documentado, e é um bom lugar para começar, mas os mundos diferentes das seções anteriores são também do mesmo tipo de mundos, todos passíveis de descrição em termos das entidades fixas e previsíveis que a Física tem discutido desde a Revolução Científica (quarks, hadrons, gluons, bósons, vetoriais na última iteração). Kuhn insistia em que a Structure era apenas sobre as ciências “duras” (como a Física), mas acho interessante ver até onde a ideia pode ir.

Em The Cybernetic Brain (Pickering, 2010), argumentei que a cibernética, especialmente como ela evoluiu na Inglaterra depois da segunda guerra mundial, pertencia a um paradigma diferente das ciências modernas, como a Física, no sentido de Kuhn. E podemos expressar isso afirmando que a cibernética era uma ciência da natureza, como eu a defini acima. A cibernética, em vez de tentar estabilizar mundos como fazem as ciências modernas, reconheceu que o fluir e o devir são nossas condições constitutivas. (9) Há um embaraço com palavras aqui, mas agora temos um exemplo no qual mundos diferentes assinalam um separação entre, digamos, o mundo estabilizado da Física e a natureza para a qual a cibernética se volta – uma separação muito mais radical do que aquela entre a simples presença ou ausência de quarks livres ou entre a velha e a nova Física. (10)

Novamente, os ciberneticistas não pensavam apenas no mundo/natureza de forma diferente, eles praticavam suas atividades como se vivessem em um outro planeta. Não é preciso dizer, eles não procuravam produzir conhecimento positivo, como o da Física, sobre como o mundo é. Em vez disso, eles focalizavam precisamente a adaptação ao desconhecido, e os projetos cibernéticos eram muito diferentes de seus equivalentes convencionais. Inicialmente, a cibernética era uma ciência do cérebro, mas o cérebro era entendido em um contexto performático e adaptativo, e não como um órgão cognitivo. O cérebro assim entendido (como um órgão para a cognição) é exemplificado na tradição da inteligência artificial (AI) simbólica que dominou a ciência dos computadores dos anos 1950 em diante, m na qual a produção e manipulação de representações era central; enquanto nos anos 1940 os ciberneticistas construíam pequenos robôs adaptativos – notavelmente as tartarugas robóticas de Grey Walter e o homeostato de Ross Ashby – que exploravam seus ambientes e procuravam se adaptar aos mesmos performaticamente, sem nenhum desvio através do conhecimento e das representações. Podemos, portanto, ver a cibernética e a inteligência artificial como teatros ontológicos – que nos ajudam a compreender duas visões muito diferentes da natureza e simultaneamente expressando estas visões em ações robóticas. Novamente, podemos dizer que eles viviam em mundos diferentes.

Uma leitura epistemológica padrão desses resultados poderia ser que os mundos da cibernética e da ciência moderna são tão diferentes que questões de racionalidade de escolha da teoria não são aplicáveis aqui e, portanto, não há nada para pensar ou que seja preocupante. Meu argumento é que deveríamos ser tocados pelo fato cru de que diferentes comunidades podem habitar estes mundos diferentes, e que a natureza é de tal forma que pode abrigar estes mundos.

Para concluir, duas linhas de pensamento, a primeira sobre “impérios em ilhas”. Podemos pensar que não há possibilidade de aproximação entre os mundos radicalmente diferentes da cibernética e da ciência moderna, mas isso seria um erro. Por exemplo, um fio científico tradicional atravessa a fase inicial da ciência do cérebro na cibernética. Na verdade, os robôs da cibernética suscitavam uma visão da natureza como não conhecível, mas ainda assim eles geravam conhecimentos positivos sobre os tipos de estruturas cerebrais que nos ajudariam a nos adaptarmos a novidades imprevistas. Aqui, os mundos da ciência e a natureza da cibernética existiam em uma relação peculiar de reciprocidade; nem eram idênticos, nem totalmente separados. Visto por uma direção o homeostato de Ashby dramatizava uma ontologia Taoísta da natureza como emergente, mas, olhando pela outra ponta do telescópio, o dispositivo colocava uma questão científica tradicional sobre um cérebro conhecível (Pickering 2012a) Podemos pensar na discussão de Kuhn sobre diferentes Gelstalts, embora aqui a referência seria sobre a própria ciência, e a possibilidade ver a cibernética inicial de duas maneiras diferentes. De novo, a conclusão é de que a cibernética e a ciência moderna vivem em mundos diferentes, mas isso não elimina a possibilidade de um trabalho construtivo para uni-las. (11)

Finalmente, descrevi a cibernética como um tipo estranho de ciência e de engenharia, mas esses aspectos da cibernética eram apenas uma parte de uma formação cultural muito mais ampla. Em The Cybernetic Brain (Pickering, 2010) eu exploro as maneiras pelas quais a ontologia da cibernética foi ensaiada em objetivos muito distintos cobrindo todos os tipos de campos, que incluíam “computação biológica”, psiquiatria, gerência de indústrias, educação, as artes e o entretenimento, arquitetura e música; também mencionei sua ressonância com formações culturais mais amplas: com a contra-cultura dos anos 1960, filosofias orientais, e espiritualidades não-padronizadas (ver também Pickering 2011). Da perspectiva da filosofia analítica da ciência, novamente, não há nada de interessante a dizer aqui. O Taoísmo e a música não estão em no domínio de referência da ciência. Mas se tomarmos a ideia de “mundos diferentes” seriamente, é fascinante ver como a natureza pode apoiar não apenas os diferentes mundos estabilizados das ciências modernas, mas também culturas diferentes, práticas e formas de vida que, nesta instância, se conectam com a própria natureza.

Aqui é onde devo finalizar, simplesmente frisando que o grande paradigma cibernético também problematizou a natureza do self humano estabilizado, e, em seus extremos, também nos convidou para pensar sobre poderes humanos não-modernos (Castaneda, 1968; David-Neel, 1997; Pickering, 1995: ch. 7). Podemos exclamar que, em mundos diferentes, as pessoas podem ser diferentes também.

Notas

Este ensaio foi escrito quando eu era associado ao Institute for Advanced Study, University of Konstanz, Germany, e eu agradeço a companheiros e à equipe do Instituto por sua atmosfera intelectual imensamente acolhedora e produtiva. Mina pesquisa era apoiada em parte por um grant da National Research Foundation of Korea grant funded by the Korean Government (NRF-2010-330-B00169).

(1) Para um relato crítico e construtivo de minhas dívidas em relação a Kughn, ver Pickering (2001). Na minha experiência, uma inspeção mais detalhada do livro de Kuhn se parece mais com um vai-vem de diferentes tradições de prática e a substituição de uma pela outra (Pickering, 1984e ver a nota 6 abaixo).

(2) O quadro básico, incluindo o conceito de “estabilização interativa” está relatado em Pickering (1995). Para mais sobre ilhas de estabilidade, ver Pickering (2009a, 2012b). A conexão com a filosofia Taoísta está feita em Pickering (2012c). Thrift (2011) esboça uma análise ontológica interessante do presente e oferece acesso ao pensamento ontológico recentes (Kuhn não é citado).

(3) o livro de Kuhn concorda com a tradição da história e filosofia da ciência ao descrever aspectos materiais da tese dos mundos diferentes; o capítulo-chave (cap. 10) é intitulado “Revoluções como mudanças na visão de mundo”.

(4) Ver também a noção de Popper (1959) sobre a base empírica da ciência como “um monte coisas levadas para um pântano”. Popper pensou disso em uma pura consideração filosófica, mas este é um fato básico sobre a natureza da ciência E se conecta diretamente com a noção de Collins (2992) “regresso do experimentador. Nos estudos de ciência e tecnologia (SSK) o argumento é de que as controvérsias em ambos os lado confrontam a mesma natureza, portanto, as desavenças requerem uma explicaçãoo sociológica. Meu argumento, em vez disso, é que as controvérsias assinalam a estabilização de mundos diferentes.

(5) Um obituário no New York Times relatou que Fairbanks ainda trabalhava em seu experimento na véspera de seu falecimento (Sulivan 1989)

(6) Como eu costumava dizer, a velha Física ainda estava viva quando morreu. Isto está muito n longe da imagem Kuhniana do colapso de um velho paradigma e da emergência de um novo paradigma de suas cinzas.

(7 A eminente filósofa de ciência Mary Hesse, disse alguma coisa relativa a isso em resposta à minha primeira conferência em estudos da ciência; Steven Weinberg (1992, 188), laureado Nobel em Física e um dos arquitetos da nova Física atribui equivocadamente esta visão a mim.

(8) Ver a discussão dobre uma “dinâmica da prática “situada” em Pickering (1984).

(9) Stafford Beer, o fundador da “cibernética gerencial” definia a cibernética como a ciência de “sistemas excessivamente complexos” – sistemas que são ou tão complicados que não podemos ter esperança de comprrende-los, ou que continuamente mudam e se transforma em outra coisa, f de maneira que nosso conhecimento sobre esles está sempre desatualizado.

(10) Nos termos de Latour (1993), a cibernética é uma ciência não-moderna, mas é contemporânea, não está localizada num passado distante nem em algum lugar distante do Ocidente. Latour quer que entendamos a modernidade de maneira diferente; eu estou interessado em alternativas não-modernas no presente (ver Pickering, 2009b)

(11) Três outras maneiras de traçar uma relação entre a cibernética e a ciência moderna são as seguintes; (1) Ontologizar a separação. Muitos ciberneticistas reconhecem que as ciências modernas produzem conhecimentos positivos de alguma parte da natureza (digamos, o movimento planetário) mas insistem em que outros aspectos não podem ser percebidos dessa maneira, e que esses outros aspectos eram: (a) em certo sentido, a maior parte da natureza; e (b) o objeto de estudo da cibernética; (2) uma extensão prática disso: mecanismos cibernéticos podem ser considerados como adições úteis a projetos da engenharia moderna. A cibernética de Norbert Wiener nasceu de melhorar a mira da artilharia anti-aérea na segunda guerra mundial: o desenho básico da arma era da engenharia convencional, mas o previsor antiaéreo de Wiener tentava levar em conta as flutuações e as imprevisibilidades envolvidas em saber em que direção apontar a arma. Se tivesse funcionado, o previsor seria um teatro ontológico pela natureza híbrida que era parcialmente capaz de ser estabilizado por práticas padrão da engenharia, mas parcialmente não, pelo lado do envolvimento da cibernética (3) Alguns ciberneticistas tomaram a rota imperialista de descrever a ciência moderna em termos cibernéticos (Bowker,1993).

 

References

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Nota biográfica Andrew Pickering é Professor of Sociology and Philosophy at the University of Exeter e Professor of Sociology at Kyung Hee University in Seoul, South Korea. Sua pesquisa atual é sobre arte, agência e o ambiente.