Contos

O olho vermelho

O olho vermelho

A casa escurecida me olha com seu olho vermelho, intermitente e decide que não vai disparar seus alarmes. No portão, seu olho branco está apagado, a rua dorme. Os cães da vizinhança estão inquietos com o luar e as nuvens que se movem. Calor, impossível adormecer, mas se abro as janelas, corre uma brisa lenta. Como Lucas, nesse momento sem sentido, penso como um ato mecânico. Não me iludo, sei que o passado é mudo. Mas imagino que você dorme agora, e que o fogo dos vulcões também dorme longe sob meus pés e que o zero negro do espaço talvez seja o verdadeiro sono. E que a casa estará me olhando com seu olho alarmado quando eu me levantar daqui e for deitar para não dormir jamais, como os dois violões de pé no silêncio de seus estojos.