O inesperável

 

carrossel-3-inesperavelandrew-pickering Prof. Andrew Pickering

Virada ontológica – o idioma performático de Andrew Pickering 

O primeiro ícone acima – uma seta circular, fechada, unida por setas a uma onda – é o símbolo do ser vivo e sua autopoiese (auto-criação) na Biologia do Conhecer de Maturana e Mpodozis.

Inventei o segundo ícone, ao  inverter o símbolo da autopoiese; o ser vivo antes apoiado na onda que representa o meio em que opera, agora me parece precariamente “pendurado” em seu meio (na onda).  Introduzi esta mudança para simbolizar a incerteza (o inesperável) presente, por exemplo, na obra de Andrew Pickering.

Em uma resenha de um livro editado por Pickering (“Science as Knowledge and Science as Practice (Chicago, Univ Chigago Press, 1992) se afirma que o conhecimento usual através da ciência faz (é, contém)  “um desvio”; e  que, embora os Estudos Sociológicos da Ciência (SSS, Science Social Studies) estejam em desfavor, Pickering é um entusiasta de Estudos da Prática Científica (SSP) (Ashmore, M. (1993) Contemporary Sociology 22(4) 489-490). Seu livro de 1995 (“The Mangle of Practice: Time, Agency and Science” Chicago, Univ Chigago Press) tornou-se um clássico nesta área da filosofia-sociologia do conhecimento científico. Uma resenha de outro livro mais recente de Pickering  (“The Cybernetic Brain”, Chicago, Univ Chicago Press, 2010) diz que a mensagem principal do livro é a impossibilidade de conhecer (qualquer coisa)(“unknowability”)  (Abraham, T. (2010) Performance, Not Control”, Science 329: 759-760.)

Vou traçar uma relação entre estas ideias e o que se passa na linfopoiese, na montagem do receptor clonal do linfócito, porque este “receptor” – ao contrário de outros “receptores” celulares – não tem um “alvo” definido. Embora a sobrevivência do linfócito dependa (urgentemente) do encontro de um ligante para o receptor clonal, este receptor é uma “aposta” probabilística sobre o status do organismo neste momento. A meu ver, as ideias de Pickering podem introduzir um viés inusitado e benfazejo na teoria imunológica.