Contos

Quarta feira

Quarta feira

Meio anestesiado pelo trabalho, exausto pela insônia, assistiu sem o encontro usual à passagem da primeira quarta-feira. Com medo da dor aumentar, alimentava um secreto orgulho. Punham em prática afinal as escaramuças da separação que sobriamente combinaram, os dois, por ser sensato. Na volta ao lar, cães, filhos, os cabelos molhados da mulher abraçada. Convite à calma, conversas inócuas.

– Amanhã vou a feira.

– Amanhã?

– Como sempre, ora. Deixo as crianças com sua mãe, e vou.

– Que dia é mesmo amanhã – um arrepio.

– Quarta feira. Onde é que você anda com a cabeça?