TEXTOS DE NELSON VAZ

Uma dúzia de conclusões

Uma dúzia de conclusões
Nelson Vaz

  1. Rompe com o esquema estímulo-resposta que acompanha a imunologia desde seu período fundador. 2. Abandona as teorias “seletivas” adotadas pela imunologia a partir dos anos 1950-60.
  2. Rompe também com a ideia de que a efetividade da vacinação anti-infecciosa deriva da intensidade e rapidez de respostas imunes específicas dependente da criação de uma reatividade progressiva a cada contato com o antígeno (memória imunológica)
  3. Propõe que a convivência harmônica com microrganismos, vírus e parasitas potencialmente patogênicos, com materiais alergênicos e com os próprios tecidos do corpo, resulta da pluralidade de conexões (diversidade clonal) participantes desta relação.
  4. Abandona a noção de “self” e a discriminação self/nonself que, de forma velada, atribuem capacidades cognitivas a um suposto “sistema imune” que, na realidade, é um mero agregado de componentes destituído de uma organização histórico-sistêmica.
  5. Embora compatível com as propostas de Coutinho e colaboradores (atividade imunológica natural) e de Cohen e colaboradores (homúnculo imunológico), a proposta adiciona a noção fundamental de uma organização (relações invariantes entre componentes em meio a contínuas trocas estruturais) que caracteriza genuinamente a natureza histórico-sistêmica da atividade imunológica.
  6. Propõe explicações para a frequência clonal aumentada em relação a certos componentes do corpo, notadamente heat-shock proteins e para a efetividade terapêutica de procedimentos empíricos tais como a imunização com peptídeos modificados de destas proteínas, e “vacinações” com linfócitos T como formas de interferência (perturbações/compensações) na organização invariante do sistema imune.
  7. Pelos mesmos mecanismos (perturbações e compensações da organização) explica também a efetividade eventual do uso de imunoglobulinas endovenosas em altas doses (IVIg) no tratamento de doenças autoimunes e outras condições patológicas.
  8. Pelos mesmos mecanismos (perturbações e compensações da organização) sugere como a exposição parenteral a antígenos tolerados (em adjuvante) desencadeia processos anti-inflamatórios capazes e inibir o desencadeamento de fenômenos imunológicos não relacionados.
  9. Finalmente, propõe uma ligação mais estreita da imunologia com as chamadas ciências cognitivas; assume e legitima a atividade do imunologista como um observador humano que atua no linguagear humano ao descrever a especificidade das observações imunológicas.
  10. Descreve a imunidade anti-infecciosa como um resultado da manutenção da organização histórico-sistêmica da atividade imunológica, nega: (a) que esta atividade seja um mecanismo dedicado à proteção do corpo e que as doenças infecciosas sejam expressões de insuficência de respostas imunes e/ou da memória imunológica; que as reações e doenças alérgicas dependam de respostas imunes excessivas; e, que as doenças autoimunes dependam de respostas imunes desviadas que atingem os tecidos do corpo.
  11. Finalmente, adota a deriva natural como explicação da origem, diversidade e conservação das linhagens de seres vivos.